
Diógenes, the Cynic
O mar atrás do balcão
Tradução gerada automaticamente, pode conter erros.
O mar atrás do balcão
Por Diógenes, o Cínico
Cícero, que viveu depois de mim, foi advogado, orador e homem público em Roma. Ao defender seus clientes, sabia que uma boa pergunta podia revelar mais do que um longo discurso. Recorreu a uma atribuída a Lúcio Cássio: cui bono?
Quem se beneficia?
Guardei a pergunta. Ocupa pouco espaço e combina bem com a lamparina.
Lembrei-me dela ao ouvir o relato de um jovem profissional que, durante a semana de uma grande feira de energia, foi conhecer a indústria no mar. Enquanto seus colegas percorriam estandes, ele navegava para a Argentina.
Passou quinze dias a bordo. Conheceu a rotina, conversou com a tripulação, acompanhou a operação. Continuou trabalhando e falando com quem estava em terra. Voltou com uma compreensão que dificilmente caberia numa apresentação.
Pareceu-me uma excelente maneira de aproximar alguém da navegação.
O curioso foi descobrir que uma experiência assim se tornou tão difícil de proporcionar.
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Houve um tempo em que mostrávamos o mar aos jovens como possibilidade. Havia distância, descoberta, trabalho, uma profissão que ligava lugares e sustentava cidades.
Hoje, antes que alguém possa conhecer um navio, corre o risco de conhecer uma coleção de siglas.
Cursos, certificados, autorizações, exigências do contratante, exigências do operador. Cada uma chega acompanhada de uma palavra que encerra a conversa:
Segurança.
Tenho respeito pela palavra. Por isso mesmo, gosto de perguntar o que ela significa em cada ocasião.
Quem vai embarcar? Para fazer o quê? Em qual embarcação? Por quanto tempo? Como chegará a bordo? A que riscos estará exposto?
Um visitante, um passageiro e um profissional com tarefas operacionais não são situações idênticas. As exigências precisam reconhecer essas diferenças, dentro das condições e autorizações da embarcação.
Se alguém exige treinamento de escape de helicóptero para uma viagem inteiramente marítima, gostaria de conhecer a justificativa.
Onde entra o helicóptero?
Talvez exista uma razão operacional que eu desconheça. Nesse caso, expliquem. Minha lamparina aceita esclarecimentos. Tem mais dificuldade com a resposta “sempre pedimos”.
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O mar exige preparação. Há operações complexas, fadiga, distância de assistência e riscos que ninguém responsável deveria minimizar.
Justamente por isso, cada medida precisa guardar relação com o perigo que pretende controlar.
Uma exigência bem fundamentada protege. Uma exigência copiada, sem exame de sua pertinência, pode apenas acrescentar custo e impedir uma experiência.
Não basta contar certificados. É preciso saber o que cada um acrescenta à segurança daquela viagem.
Pedi essa explicação e me mostraram outro formulário.
Foi quando tirei do bolso a pergunta de Cícero.
Cui bono?
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Uma grande empresa distribui o custo de suas exigências entre departamentos, contratos e embarcações. Para quem começa, o mesmo custo pode decidir se o negócio chega a existir.
Isso não demonstra uma conspiração. Demonstra por que o efeito de uma regra merece ser examinado junto com sua intenção.
Quem consegue cumprir? Quanto custa? Existe uma forma igualmente segura e menos onerosa? Quantos possíveis participantes ficaram pelo caminho?
Se a cada nova barreira sobrevivem apenas os maiores, convém perguntar se estamos tornando a navegação mais segura ou apenas mais exclusiva.
O trabalho dos reguladores, dos juristas e dos contratantes deveria incluir essa pergunta. Uma regra precisa justificar também as portas que fecha.
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Enquanto isso, como apresentamos a profissão a quem ainda está escolhendo seu futuro?
O jovem que voltou da Argentina contou sobre trabalho, aprendizado e convivência. Durante a viagem, manteve contato com terra. Sua experiência lembra que a vida a bordo também mudou.
Há embarcações com boas acomodações, espaços de exercício e lazer, conectividade e condições que merecem ser mostradas. Há regimes de trabalho com períodos de descanso em terra que permitem estudar, conviver com a família e desenvolver outros projetos.
Essas condições variam, e precisam continuar melhorando. Mas por que quase nunca entram na conversa com o mesmo entusiasmo dedicado às dificuldades?
Outros setores aprenderam a despertar orgulho e curiosidade. A navegação tem histórias, tecnologia, engenharia e uma ligação concreta com a vida de todos.
Poderia começar convidando as pessoas a conhecê-la.
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O país discute como construir navios. Gostaria de ouvi-lo discutir, com a mesma dedicação, como formar armadores.
Há quem tenha começado trabalhando a bordo e depois se tornado dono de uma empresa de navegação. O conhecimento adquirido no convés pode amadurecer em capacidade de contratar, investir e empreender.
Essa trajetória deveria alimentar nossa imaginação.
Um jovem que hoje visita uma embarcação pode amanhã escolher o mar. Um marítimo pode criar uma empresa. Uma pequena empresa pode crescer.
Mas alguém precisa conseguir dar o primeiro passo.
Ao final da conversa, fui até o cais. Um rapaz olhava para um navio e perguntou o que seria necessário para conhecê-lo.
Achei uma boa pergunta.
Antes de lhe entregarem uma lista, levantei a lamparina:
— Queremos preparar esse rapaz para embarcar ou estamos esperando que ele desista?
Cícero teria perguntado quem ganha com a resposta.
Eu gostaria de saber quantos futuros armadores estamos deixando em terra.
This article was produced by Westhon Media for One Energy News.