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As cartas estão na mesa

Por Alexandre Vilela26 de outubro de 2026 às 06:524 min de leitura

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Tradução gerada automaticamente, pode conter erros.

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O Brasil saiu das urnas com uma combinação que merece mais reflexão e menos reação. Uma direita fortalecida nos estados e no Congresso Nacional. Um presidente de esquerda reeleito. Antes de procurar uma contradição no eleitor, talvez seja melhor admitir que ele faz escolhas próprias.

Na minha leitura, o avanço da direita não pode ser explicado apenas como rejeição à esquerda. Existe identificação com ideias, naturalmente, mas também com pessoas. Proximidade, confiança, trajetória e vínculos locais ajudam a explicar por que alguém escolhe determinado governador, deputado ou senador. O eleitor não precisa entregar todos os seus votos ao mesmo campo político.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou ligeiramente à frente de Lula. Havia quem enxergasse nessa vantagem, somada ao resultado parlamentar, uma antecipação do desfecho presidencial. Ontem, o eleitor decidiu de outra forma. Pela primeira vez, na disputa presidencial brasileira em dois turnos, venceu quem havia terminado a primeira etapa em segundo lugar.

O erro estava em tratar o segundo turno como mera confirmação do primeiro. O histórico de eleições anteriores alimentava uma expectativa. Não oferecia uma garantia.

O segundo turno reorganiza a escolha. São dois candidatos, outras comparações, novas aproximações. Os apoios locais continuam existindo, mas não transferem automaticamente a confiança do eleitor. O voto dado a um governador não pertence a ele para ser entregue a um candidato à Presidência.

É cada cabeça uma sentença. E o voto é soberano.

A vitória de quem saiu atrás encerra a eleição. Não encerra as possibilidades do país.

Teremos continuidade no Executivo, mas uma correlação de forças diferente no Legislativo. O avanço da direita na Câmara e no Senado amplia a possibilidade de contrapontos efetivos ao governo. Essa configuração merece ser examinada para além da satisfação de quem ganhou ou da frustração de quem perdeu.

O Congresso participa das decisões sobre orçamento, tributos, gastos e reformas. O Senado aprova ou rejeita indicações para o Supremo Tribunal Federal e possui competências específicas de responsabilização previstas na Constituição. São instrumentos relevantes, desde que exercidos com critério e respeito à independência dos Poderes.

Resta saber como os eleitos usarão essa força. Teremos uma maioria orientada por suas convicções, capaz de defender pautas econômicas mais liberais e fiscalizar com consistência? Ou veremos essas posições perderem importância diante da distribuição de cargos e recursos?

Negociar faz parte da democracia. O problema começa quando o conteúdo da negociação deixa de ser uma agenda para o país.

Eu prefiro enxergar nessa composição uma grande oportunidade. Uma oposição com capacidade concreta de impedir excessos, propor alternativas e participar das decisões. Um Executivo que dê continuidade aos investimentos, pratique responsabilidade fiscal e respeite a autonomia do Banco Central. Um Legislativo que cobre essas condições também de si próprio.

Nada disso acontece automaticamente porque as forças políticas estão distribuídas. Mas há espaço para que aconteça.

Para a indústria de óleo e gás, essa possibilidade tem consequências bastante concretas. Uma Petrobras fortalecida, com capacidade de investimento, disciplina de capital e uma agenda consistente de construção naval, pode sustentar demanda, desenvolver fornecedores e dar previsibilidade a decisões industriais de longo prazo. O movimento já está em curso, com encomendas e entregas no âmbito da renovação da frota do Sistema Petrobras.

Há espaço para aproximar essa agenda de um Congresso mais favorável ao investimento privado e à segurança jurídica. São interesses que podem convergir.

O Fundo da Marinha Mercante merece atenção nessa articulação. Precisamos discutir como transformar recursos disponíveis em financiamento acessível, contratos executáveis e embarcações entregues. A Frente Parlamentar em Apoio ao Petróleo, Gás e Energia, presidida por Eduardo Pazuello, pode contribuir para aproximar o setor produtivo desse debate.

Etesco drillship
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Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina têm razões concretas para trabalhar juntos. Os estados do Norte, com sua construção naval e sua experiência na navegação fluvial, precisam participar dessa articulação com o mesmo protagonismo. As novas fronteiras do petróleo e as necessidades da logística ampliam essa agenda.

Quem contrata uma embarcação, amplia um estaleiro ou financia um projeto precisa enxergar além do próximo calendário eleitoral. Precisa de demanda, regras estáveis, capacidade técnica e compromissos que sobrevivam à troca dos governos.

É nessa conversa que eu gostaria de ver as boas cabeças do país reunidas. Há investimento a realizar, capacidade industrial a mobilizar e representantes eleitos em diferentes campos com condições de contribuir.

As cartas estão na mesa.

Esta matéria foi produzida pela equipe editorial da Westhon Media para o One Energy News.