
Por onde anda? Metaltanque II
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Construído em fevereiro de 1963 pelo estaleiro Fujinagata no Japão, o navio originalmente chamado Petrobras Oeste foi projetado com uma missão clara: transportar GLP ao longo das águas brasileiras. Alimentado por um B&O motor W, com aproximadamente 4.323 DWT e IMO 5407784, fazia parte da frota da Petrobras numa época em que o Brasil começava a construir sua própria infraestrutura energética.
Mas o mar tem uma longa memória. E navios muitas vezes carregam histórias que não terminam onde muitos esperam.
Em meados da década de 1980, a Petrobras Oeste e sua embarcação irmã Petrobras Nordeste (IMO 5412997) foram desativadas e vendidas em leilão como sucata. A Petrobras Oeste foi adquirida pela Brasilmar, enquanto a Petrobras Nordeste foi para Metalnave.
No início, o ciclo parecia completo. As naves cumpriram sua missão e provavelmente acabariam com suas vidas como sucata.
Não foi isso que aconteceu.
Metalnave S.A., uma empresa que na época operava rebocadores e barcaças de bunker na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro, controlada pelo empresário Frank Wlasek, adquiriu a Petrobras Nordeste.
O contrato de leilão exigia que os navios fossem desmantelados, proibindo conversão ou reparo para uso como navios mercantes. Após uma longa disputa legal, Metalnave provou seu direito de converter e reparar a nave como seu novo dono. A empresa reconstruiu e adaptou a Petrobras Nordeste para transportar butadieno, renomeando-a de Metaltanque I.
Brasilmar, após adquirir a Petrobras Oeste, não fez mudanças na embarcação. Metalnave mais tarde comprou-o e deu um passo ainda mais ambicioso: convertendo-o em uma nave semi-refrigerada.
A reforma foi realizada pela equipe técnica da Metalnave, liderada pelo seu diretor técnico, engenheiro José Ruiz, um profissional com uma longa carreira no setor de construção naval brasileiro. O desafio foi significativo: transformar um antigo sistema de gás pressurizado de uma embarcação comprada como sucata em uma moderna planta semi-refrigerada capaz de transportar produtos químicos gasosos. Na época, grande parte do mercado doméstico considerava o projeto praticamente impossível.
Mas foi feito.
O resultado foi Metaltanque II. Antes de sua conversão final e renomeação, a nave operou por alguns anos sob o nome Triunfogas. Após a transformação, entrou em serviço transportando cargas químicas na cabotagem brasileira, servindo clientes exigentes como Braskem e Dow Química. Com a incorporação dos dois navios, a Metalnave S.A. também se tornou uma companhia de transporte de cabotagem.
Mais do que uma reviravolta comercial, o episódio demonstrou que a engenharia naval brasileira era capaz de revitalizar ativos complexos e devolvê-los ao mercado em plena condição operacional — desafiando o ceticismo que por muito tempo limitava as ambições do setor.
Hoje, Metaltanque II está inativo em Renave, em Niterói, Rio de Janeiro, na Ilha do Vianna. Aqueles que visitam o local encontram uma nave em repouso, mas não destruída. Não está em estado deplorável. Fica como uma nave que simplesmente parou após uma longa viagem, um pouco desgastada, mas ainda presente.
Afinal, o mar tem uma longa memória.
Esta matéria foi produzida pela equipe editorial da Westhon Media para o One Energy News.