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Diógenes, o Cínico

O homem que queria contratar uma escola

Por Diógenes, o Cínico03 de novembro de 2026 às 07:273 min de leitura
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Tradução gerada automaticamente, pode conter erros.

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Por Diógenes, o Cínico

Conta-se que, depois de me comprarem num mercado de escravos, confiaram-me a educação dos filhos de Xeníades.

Há certa graça nisso. O homem pagou por um escravo e acabou levando para casa alguém que lhe dizia como educar os filhos.

A formação dos rapazes exigia convivência, exercício, disciplina. Não me lembro de termos resolvido o assunto com uma apresentação sobre excelência. Tampouco lhes ensinei que deveriam passar a vida precisando de mim.

Lembrei-me disso ao regressar ao Rio de Janeiro, depois de uma longa viagem ao sul do Brasil. Soube então da partida de um profissional para uma grande empresa internacional. Na casa em que havia trabalhado, preparavam a transição e comentavam a oportunidade com satisfação.

Foi quando entrou em cena Simão.

Empresto-lhe o nome do doutor de Machado e um pouco daquela confiança em que o mundo precisaria caber nas suas conclusões. O nosso, porém, dedicava-se aos negócios. Gostava de falar do futuro com a segurança de quem já havia sido nomeado para dirigi-lo.

Simão recebeu a notícia de outra maneira.

Viu uma abertura.

Neste meu conto, Simão era um homem atento ao mercado. Tão atento que, às vezes, parecia acompanhar melhor os passos dos outros do que os próprios.

Já tinha escritório, planos e seu Crispim, que encaminhava os assuntos sem perturbá-lo com grandes discordâncias. Faltava-lhe um Martim. Alguém que trouxesse experiência suficiente para dispensá-lo do trabalho de ensinar.

A saída daquele profissional lhe pareceu uma ocasião favorável para procurar entre os que permaneciam.

Onde uns viam uma carreira avançando, Simão imaginava uma casa perdendo o equilíbrio. Talvez houvesse alguém inseguro. Talvez fosse a hora de oferecer certezas.

Tinha várias. Principalmente sobre si.

— Agora deve ser mais fácil conversar com o pessoal de lá — observou, nesta minha pequena comédia.

Aproximei a lamparina.

Queria entender por que a oportunidade de um homem lhe parecia uma fragilidade dos demais.

Simão explicou que o mercado se movimentava. Era preciso estar atento, agir depressa, reconhecer talentos.

Reconhecê-los, ele reconhecia muito bem. Sobretudo depois que alguém os havia formado.

Perguntei quantos jovens estava ensinando.

Respondeu que precisava crescer.

Imaginei que não tivesse ouvido.

Perguntei novamente.

Disse que não havia tempo.

Era uma dificuldade interessante: tinha tempo para acompanhar o desenvolvimento de profissionais nas outras casas, mas não para acompanhar um principiante na sua.

Sobre a mesa, havia nomes, cargos e possibilidades. Martim era um deles. Não sei o que lhe ofereceram, nem o que respondeu. Simão, porém, já parecia contar com o entusiasmo alheio antes de consultá-lo.

Não tenho objeção a uma proposta. Um profissional pode mudar de empresa, ganhar mais, assumir responsabilidades diferentes. A casa de onde partia aquele homem parecia compreender isso.

Conhecia outros que haviam saído dali para funções importantes. Falavam deles com orgulho, sem exigir que a gratidão fosse demonstrada pela permanência.

Uma escola que só considera bem formado o aluno que nunca sai precisa rever o que está ensinando.

Simão concordou prontamente. A liberdade de partir lhe parecia uma excelente ideia enquanto imaginava alguém chegando à sua porta.

Perguntei se teria a mesma disposição quando um dos seus encontrasse oportunidade melhor.

Preferiu voltar aos planos de expansão.

Deixei que falasse.

Meu interesse estava naquela curiosa pressa de receber, junto com um profissional, os anos que outras pessoas haviam dedicado à sua formação. As dúvidas acompanhadas, os trabalhos devolvidos, a responsabilidade concedida aos poucos.

Simão via o resultado. O percurso parecia-lhe um detalhe que poderia ficar por conta de terceiros.

Mas uma casa que forma pessoas não cabe inteira na pasta de quem sai. Continua nas conversas, nos hábitos e na paciência de quem se senta ao lado do próximo.

Lembrei-me de Xeníades. Comprara um homem e descobrira que teria de ouvi-lo. Simão ainda não havia contratado ninguém e já imaginava como todos concordariam com ele.

Antes de sair, perguntou se eu conhecia alguém.

— Conheço um jovem que ainda precisa aprender.

Disse que procurava outro perfil.

Apanhei minha lamparina. Na apresentação sobre a mesa, li que as pessoas eram o maior investimento daquela empresa.

Parecia satisfeito em deixar as primeiras parcelas para os outros.

Esta matéria foi produzida pela equipe editorial da Westhon Media para o One Energy News.