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Diógenes, the Cynic · From the magazine

Conta-se que Alexandre, o Grande, certa vez me encontrou deitado ao sol e perguntou o que poderia fazer

By Diógenes, o CínicoSeptember 25, 2026 at 06:55 AM6 min read
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Lembrei-me disso ao entrar no encontro do setor de energia. Havia luz nos painéis, nas telas e nos discursos sobre o futuro. Ainda assim, mantive minha lamparina acesa. Certas coisas precisam ser vistas de perto.

Nos corredores, um homem orgulhoso avançava cercado de pessoas empenhadas em registrar seu avanço. Havia quem filmasse de frente, quem acompanhasse de lado e quem garantisse que a naturalidade saísse conforme o planejado.

Esperei que passassem. Não queria interromper algum acontecimento importante. Depois, comecei a suspeitar que o acontecimento fosse a própria passagem.

Alexandre também andava acompanhado. Mas já tinha algumas conquistas para explicar a comitiva.

Hoje, a apresentação pode chegar antes das conquistas. Em poucos segundos, surge uma empresa inteira: ambientes impecáveis, pessoas concentradas, música crescente. Palavras em inglês anunciam estratégia, execução e resultados com a segurança de quem resolveu o problema antes de saber qual era.

Minha curiosidade começa quando a trilha sonora acaba.

Quem são aquelas pessoas? O que fizeram juntas? Aquela estrutura existe ou é o retrato do que se pretende construir?

A diferença importa. Uma representação de futuro pode apresentar uma ambição legítima. Oferecê-la como prova de capacidade já instalada induz o público a acreditar em algo que ainda precisa ser realizado. Quem assiste deve poder distinguir uma promessa de uma entrega.

Se o vídeo mostra o amanhã, basta dizer. O problema começa quando se convida o cliente a contratar hoje uma estrutura que só existe na apresentação.

As ferramentas conseguem produzir quase qualquer cenário. A responsabilidade por aquilo que ele leva os outros a acreditar continua sendo de quem o apresenta.

Não vejo virtude em sair mal numa fotografia. Um bom retrato pode ajudar um trabalho sério a encontrar seu público. Mas, quando a imagem passa a substituir o trabalho, o acabamento merece menos atenção do que aquilo que ficou fora do enquadramento.

É ali que aproximo minha lamparina.

Ela é pouco sofisticada para esse mercado. Não retoca. Não acrescenta figurantes. E ilumina as bordas do cenário.

Talvez por isso tenha me lembrado de Alexandre. Diante de alguém acostumado a ocupar o centro, pedi apenas espaço para a luz passar.

Há uma lição útil nesse movimento. A equipe pode aparecer sozinha. O resultado pode ser apresentado por quem o produziu. E uma empresa pode mostrar o tamanho que tem, com a ambição de crescer, sem precisar anunciar que já chegou.

Isso exige alguma segurança. Inclusive para permitir que o mundo continue interessante quando a câmera se afasta de nós.

Sem essa liberdade, a reunião vira cenário, o colega vira composição e a pessoa se torna funcionária de sua própria publicidade. Até descansar deve dar trabalho. Nunca se sabe quando será necessário parecer espontâneo.

Quando a comitiva voltou, um dos homens da câmera apontou para minha lamparina. Talvez rendesse uma boa imagem.

Esperei que terminassem. Depois, indiquei a janela. O sol entrava sem produção, sem legenda e sem ninguém para anunciar sua importância.

— Com licença. Poderiam se afastar um pouco?

Eu queria aproveitar a luz.

This article was produced by Westhon Media for One Energy News.